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Terena

Os Terena são uma população indígena pertencente à família Aruak, como os Yawalapití, os Baré, os Waurá, os Wapixana, entre outros. Atualmente, encontram-se espalhados por Terras Indígenas em dois estados brasileiros: Mato Grosso do Sul e São Paulo. Dados do Censo de 2010 apontam para a existência de 28.845 índios terena no Brasil, sendo que 985 deles na região sudeste. No estado de São Paulo, eles vivem, junto com indígenas Tupi Guarani, Kaingang, Krenak, Fulni-ô e Atikum, em três Terras Indígenas localizadas na região Oeste do estado: Araribá, Icatu e Vanuire, cuja população é respectivamente de 527, 155 e 177 pessoas, segundo levantamentos da Funai. 

História

Contatos dos Terena com os europeus foram descritos desde o século XVI, quando buscando caminhos que levassem aos Andes, os espanhóis estabeleceram relações com esse povo, à época chamados de Guaná, na região do Chaco paraguaio. A chegada dos brancos fez os Terena procurarem locais onde pudessem exercer seu modo de vida sem a influência devastadora da colonização. Foi assim que esses índios se estabeleceram, no século XVIII, no atual território brasileiro, na região do Mato Grosso do Sul.

Apesar disso, não demorou muito para os conflitos trazidos pela colonização voltarem a atormenta-los. O principal evento que os assolou foi a Guerra do Paraguai, contenda causada por uma disputa de fronteiras entre Paraguai, Brasil, Argentina e Uruguai. A guerra acabou envolvendo os Terena, que nela tiveram de participar para garantir seus territórios e ocasionou a morte de muitos indígenas (BITTENCOURT e LADEIRA, 2000).

Após a guerra, a ocupação da região fronteiriça com o Paraguai por não indígenas, que tinha por objetivo garantir os limites territoriais estabelecidos com o fim dos conflitos, trouxe inúmeros problemas aos Terena: os rebanhos das fazendas criadas destruíam as plantações dos indígenas, a ocupação territorial limitava-os a pequenas áreas e os conflitos eram frequentes. Nesse período, os estes se viram obrigados a se empregar como trabalhadores nas fazendas da região, o que trouxe uma situação de servidão aos indígenas (BITTENCOURT e LADEIRA, 2000).

Mesmo assim, algumas poucas famílias dessa população indígena se mantiveram às margens das fazendas, ocupando pequenos núcleos familiares irredutíveis à colonização. Foram essas ocupações, localizadas no atual estado do Mato Grosso do Sul, que foram regularizadas no início de século XX e formaram as Reservas Indígenas de Cachoeirinha e Taunay/ Ipegue.

Somente entre 1927 e 1930 que os Terena chegaram ao estado de São Paulo, forçados pelo Serviço de Proteção ao Índio (SPI). O SPI trouxe índios Terena para o estado, em primeiro lugar, para ocupar o então Posto Indígena Araribá, que tinha ficado praticamente desabitado em função de um surto de gripe espanhola que dizimou a população Guarani ali residente. Além disso, os agentes do órgão acreditavam que esses indígenas, exímios agricultores, poderiam de alguma forma instruir os Kaingang em atividades de lavoura e criação de animais (COMISSÃO PRÓ-ÍNDIO, 1984).

Modo de vida

Os Terena dão grande importância ao xamanismo de cura, através doskoixomuneti, rezadores que têm função de curador e, principalmente, de prolongador a vida, através das relações que estabelecem com outros koixomuneti já mortos. Por isso, esses xamãs têm um importante status nas comunidades terena. Entretanto, é importante notar que os koixomuneti são também temidos, pois há aqueles que são antes feiticeiros que curadores, e podem trazer malefícios às vidas das pessoas.

Atualmente, os Terena conferem uma importância cosmológica e política à aldeia como locus de organização de reivindicações frente ao Estado brasileiro (VARGAS, 2011). Segundo Franco (2011), os Terena concedem um grande destaque na incorporação das técnicas e tecnologias dos brancos como forma de controle do mundo não indígena.

Além disso, os índios mantêm sua tradição de bons agricultores dando uma grande ênfase ao cultivo de diversos espécimes. Nas Terras Indígenas onde habitam, há grandes áreas de plantação de mandioca e da produção da farinha, fundamental para a alimentação dos Terena. É durante o processo de produção da farinha de mandioca que se extrai o polvilho, o ingrediente necessário, junto com a calda da mandioca ralada, para a produção do Poreú (uma espécie de mingau), do Lapepé (bolo) e do Hihi, alimentos tradicionais que são fundamentais para a dieta terena. Estes indígenas também cultivam, em suas terras, o milho, o feijão verde, a batata doce e o amendoim (CÂNDIDO et alli, 2011).

Referências Bibliográficas

BITTENCOURT, Circe Maria Fernandes; LADEIRA, Maria Elisa. A história do povo Terena. Brasília: MEC ; São Paulo: USP/CTI, 2000.

CÂNDIDO, M; PEREIRA, E; ARAÚJO, A. “Análise da agricultura terena, Aldeia Bananal – Aquidauana/ MS”. Trabalho apresentado no IV seminário “Povos Indígenas e sustentabilidade”. Campo Grande: 2011.

CARVALHO, Fernanda. Koixomuneti e outros curadores: Xamanismo e práticas de cura entre os Terena. São Paulo: Terceira Margem, 2008.

COMISSÃO PRÓ-ÍNDIO. Índios no Estado de São Paulo: Resistência e Transfiguração. São Paulo: Comissão Pró-Índio de São Paulo e Yankatu Editora: 1984. 

 
 
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