“Seguimos firmes na luta por nossos direitos territoriais e não vamos dar nenhum passo para trás”

Foto: Carlos Penteado

Hoje (19/10), a Federação das Organizações Quilombolas de Santarém (FOQS), que representa 12 comunidades quilombolas do Município paraense, manifestou repúdio às declarações de antropólogo que questiona a legitimidade do reconhecimento do Quilombo Tiningu e dos processos de titulação em curso no Município.

Na última terça-feira (16), o antropólogo Edward M. Luz divulgou uma nota pública em que afirma estar preparando estudos sobre a suposta artificialidade das demandas dos quilombolas em Santarém. De acordo com a sua própria declaração, ele foi contratado por fazendeiros do Sindicato Rural de Santarém para elaborar estudos que questionam a existência de quilombos na região.

Segundo a FOQS, Edward M. Luz e Adriano Maraschin, representante dos sindicatos, levantam questionamentos sem sequer terem visitado as comunidades. “Essas pessoas não nos conhecem, nunca visitaram nossos territórios e querem dizer que nós não existimos. (…) repudiamos essas declarações e manifestamos nossa indignação com mais esse ato de racismo e discriminação. Seguimos firmes na luta por nossos direitos territoriais e não vamos dar nenhum passo para trás.“.

A Comissão de São Paulo se solidariza com as comunidades quilombolas de Santarém e repudia os questionamentos relativos à sua identidade étnica e à legitimidade da luta pela terra.

Em carta de apoio, o Programa de Antropologia e Arqueologia da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) afirma que “o reconhecimento dessa comunidade [Tiningu] é o resultado de uma longa luta liderada pelos comunitários, pela Federação das Organizações Quilombolas de Santarém (FOQS) e pela Malungu”.

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