Fonte: Repórter Brasil

Mineração Rio do Norte é a maior produtora nacional da bauxita, matéria-prima do alumínio, e campeã de requerimentos de minerais críticos que afetam quilombos na Amazônia brasileira; corrida pelos minerais essenciais para as indústrias de tecnologia e bélica avança sobre territórios protegidos

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Entre 1979 e 1989, a MRN despejou 24 milhões de toneladas de rejeitos de bauxita diretamente no lago. Esse volume é quase duas vezes maior do que a lama despejada no rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, em 2019, que deixou mais de 270 mortos.

Em Oriximiná, o resultado foi a formação de uma camada compacta de rejeito no fundo, que chegou a ultrapassar seis metros de espessura em alguns pontos do lago, segundo estudo da antropóloga Lúcia Andrade, da Comissão Pró-Índio de São Paulo. Esse é considerado o maior desastre industrial da Amazônia. A empresa desde então tenta recuperar o manancial, mas os efeitos persistem até hoje, quatro décadas depois.

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Lúcia Andrade, da Comissão Pró-Índio de São Paulo, questiona também o fato de as concessões da MRN serem muito antigas, não terem passado por consulta às comunidades na época nem serem revistas para considerar informações atuais, como os impactos às comunidades e os riscos gerados pela crise climática.

“Uma floresta intacta está sendo derrubada. Por mais que se tenha esforço de reflorestamento, não fica como era”, diz a antropóloga, a respeito das áreas de floresta cedidas à empresa para instalação de cavas, estruturas de apoio e barragens de rejeitos.