Encontro reuniu 40 jovens e lideranças como preparação para o Acampamento Terra Livre 2025

Encontro de Jovens da TI Piaçaguera. Foto: CPI-SP

Realizado no último dia 28 de março, com o apoio da Comissão Pró-Índio de São Paulo, o encontro de jovens foi um espaço de escuta, troca de experiências e formação política. Contou com participação de 40 lideranças e jovens da TI Piaçaguera, localizada no litoral de São Paulo.

O principal objetivo do evento foi a preparação para o Acampamento Terra Livre (ATL), promovido anualmente pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) e suas organizações regionais de base: Apoinme, ArpinSudeste, ArpinSul, Aty Guasu, Conselho Terena, Coiab e Comissão Guarani Yvyrupa. A 21ª edição do Acampamento Terra Livre – o maior encontro de mobilização indígena do país – ocorrerá ente os dias 07 e 11 de abril em Brasília. Uma comitiva jovem da TI Piaçaguera participará da mobilização.

Durante o evento, foi relembrada a história do movimento de resistência dos povos indígenas e discutidos os desafios atuais, com destaque para a ameaça representada pelo marco temporal. Awa Tenondegua dos Santos, liderança da aldeia Tapirema e coordenador na Articulação dos Povos Indígenas da Região Sudeste (ArpinSudeste), compartilhou a sua visão sobre o movimento e o papel do ATL. “O ATL é luta. Lá a gente cobra nossos direitos”, explicou.

Foto: CPI-SP

Os jovens relataram suas experiências de participações anteriores no ATL e as suas expectativas para o evento desse ano. “A nossa expectativa para o ATL 2025 é que a gente possa estar nesses espaços de fala, mostrando a nossa força e resistência que foram passadas de geração para geração, passadas dos nossos mais velhos, dos nossos anciões. Vamos somar nessa luta que é contínua, uma causa de todos nós”, compartilhou Adriel Karai (22 anos), da aldeia Tapirema e coordenador de juventude na ArpinSudeste. Adriel lembrou ainda que nenhuma conquista de direito dos indígenas veio sem luta. “Tudo o que a gente tem dentro das aldeias foi conquistado com muito esforço, muito sacrifício dos nossos mais velhos. Então, a gente não pode desistir dessa luta”, reforça.

Para Carolina Dina (19 anos) da aldeia Nhamandu Mirim, a expectativa de comparecer ao ATL é alta. “O ATL é importante para a juventude de Piaçaguera para ver a realidade. Os nossos mais velhos lutaram por nós. Então, agora é nossa vez de lutar por eles. É a minha primeira vez. Minha expectativa é que a gente fique forte e não desanime”, relata.

Mobilização da juventude da TI Piaçaguera continua

O encontro também incentivou a criação de um grupo de juventude da TI Piaçaguera com o objetivo de dar continuidade à mobilização. “A gente precisa se juntar mais como juventude, para entender o que está acontecendo e se fortalecer na luta”, disse Adriel Karai, representante dos jovens na coordenação local.

Os jovens também trouxeram suas propostas para os próximos encontros. Avaliam que os momentos de formação sobre direitos indígenas devem continuar. E apontaram também a importância de abordar a saúde mental, o enfrentamento ao preconceito fora das aldeias, o uso de álcool e drogas e a valorização dos conhecimentos tradicionais.

Vista aérea da TI Piaçaguera: o verde cercado pela área urbana. Foto: Carlos Penteado

A Terra Indígena Piaçaguera

Terra Indígena Piaçaguera, no litoral sul de São Paulo, é morada de 331 indígenas (Sesai, 2023) do povo Tupi-Guarani. Distribuídos em doze aldeias, eles habitam uma área de 2.773,7978 hectares no município de Peruíbe.

A trajetória dos Tupi-Guarani de Piaçaguera é marcada por resistência, luta e a busca por viver de acordo com sua cultura em um contexto bastante adverso. O processo de demarcação da Terra Indígena consumiu muitos anos. A demarcação de Piaçaguera foi homologada pela presidenta Dilma Rousseff em 2016 e registrada em cartório no mesmo ano. Em 2018, a terra foi registrada na Secretaria do Patrimônio da União finalizando o procedimento de regularização fundiária.

Piaçaguera está localizada no bioma da Mata Atlântica e ocupa uma área que vai desde a beira da praia até o sertão. É uma área bastante preservada, situada em uma região bastante urbanizada do litoral paulista, onde as atividades ligadas ao turismo e ao lazer constituem base importante da economia local. É cercada por habitações e estruturas das áreas urbanas dos municípios de Peruíbe e Itanhaém e cortada pela rodovia Manoel da Nóbrega de movimento intenso e alvo de ocupações irregulares e da visitação não autorizada de turistas. Uma grande ameaça à integridade do território indígena é a presença de mais de 100 posseiros que, mesmo após a homologação, ainda não foram retirados e reassentados pelo Governo Federal.

Encontro de Jovens da Terra Indígena Piaçaguera

Aldeia Piaçaguera, 28 de março de 2025
Promoção: Comissão Pró-Índio de São Paulo e lideranças da aldeia Piaçaguera
Apoio financeiro: DKA Áustria

Bianca Pyl – Assessora de Comunicação/CPI-SP

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