O Coletivo Pretas Marias compartilhou a experiência de construção da Rede de Comunicadoras Quilombolas

Foto: Comunicadoras Quilombolas
Em mais um encontro virtual, realizado em 19 de março, as integrantes da Articulação de Mulheres Quilombolas e Ribeirinhas de Óbidos e Oriximiná (Pará) discutiram a importância da comunicação como estratégia de reafirmação de direitos das mulheres.
As companheiras do Coletivo Pretas Marias, do Quilombo Boa Vista de Oriximiná, facilitaram o debate relatando as iniciativas da Rede de Comunicadoras Quilombolas. “A iniciativa iniciou em 2025 com um primeiro projeto” relata Carlene Printes, coordenadora de projetos do Coletivo Pretas Marias e coordenadora de Diversidade e Gênero na Coordenação Estadual das Associações das Comunidades Remanescentes de Quilombo do Pará – Malungu, “A partir desse primeiro projeto a gente desenvolveu rodas de conversas e oficinas para capacitar nossas mulheres para elas serem as vozes e os olhos das nossas vivências no território. Queremos mostrar ao Brasil como vivemos dentro do território. Conseguimos comprar equipamentos, tudo o necessário para fazermos esse trabalho com excelência”.
Karine dos Santos de Souza, coordenadora de comunicação do Coletivo complementa “Era muito comum a gente observar nos nossos territórios pessoas de fora vindo produzir e nós apenas sermos objeto de pesquisa, de documentário, de notícia. Só que essas pessoas vinham, captavam e divulgavam da forma como queriam. A rede de comunicadoras também nasce desse sonho de estarmos enquanto protagonistas”. E Luciane dos Santos Printes, coordenadora administrativa do Coletivo reforça a importância da iniciativa para o empoderamento das mulheres “A gente vê que nós mulheres precisamos desses espaços. Essa rede é também para isso, para que a gente dê visibilidade para as mulheres. Essa rede veio mesmo para fortalecer e trazer protagonismo para as nossas mulheres”.
Coletivo de Mulheres Quilombolas e Ribeirinhas de Óbidos e Oriximiná
Desde o final de 2020, a CPI-SP tem viabilizado encontros virtuais mensais com mulheres quilombolas e ribeirinhas de Oriximiná e de Óbidos, no Pará, para debater temas como política, racismo, machismo, luta pela terra e proteção dos territórios. Esses espaços se consolidam como ambientes de aprendizado coletivo e fortalecimento político, onde o pensamento crítico é exercitado e as estratégias comunitárias ganham forma. Em 2025, 80 mulheres participaram das atividades.