Denúncias no Mato Grosso do Sul e no Pará violam o direito à vida, ao território e à livre participação política

Foto: Paulo Pinto / Agência Brasil
Ameaças de envenenamento de água, manifestações racistas e intimidações de novas invasões a territórios indígenas marcaram denúncias durante e após as eleições de 2026. Os relatos de comunidades de Mato Grosso do Sul e do Pará mobilizaram organizações indígenas e órgãos federais e exigem providências para proteger as populações atingidas.
Ameaças no Mato Grosso do Sul
No Mato Grosso do Sul, as denúncias incluem áudios com ameaças de envenenamento da água que abastece a Aldeia Sassoró, em Tacuru, e manifestações racistas contra indígenas. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) encaminhou os relatos a órgãos federais e solicitou proteção às comunidades.
O Ministério Público Federal informou, em 28 de outubro, que instaurou procedimentos para apurar as denúncias. Em Tacuru, deu prazo de 48 horas para a prefeitura informar as medidas adotadas para verificar os áudios e garantir a segurança e a continuidade dos serviços públicos essenciais. Também recomendou processo administrativo e afastamento cautelar caso sejam identificados indícios consistentes de participação de servidores municipais.
Ameaças de invasão no Pará
No Pará, indígenas do povo Parakanã denunciaram ameaças de invasão à Terra Indígena Apyterewa. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, fazendeiros enviaram áudios anunciando a intenção de ocupar o território caso Flávio Bolsonaro vencesse a eleição presidencial.
À imprensa, Polícia Federal, Ibama, Funai e Ministério dos Povos Indígenas informaram que acompanhavam a situação. O Nexo também noticiou que o Ministério solicitou reforço das ações de segurança e acionou a PF para investigar as ameaças. As informações consultadas, porém, não apresentam resultados dessas apurações.
Defesa dos direitos e da democracia
Nenhuma pessoa ou comunidade pode ser ameaçada, coagida ou sofrer retaliação por suas escolhas eleitorais. A garantia da participação política dos povos indígenas exige respeito à sua autonomia, proteção de seus territórios e condições para exercer seus direitos sem medo.
A Comissão Pró-Índio de São Paulo, enquanto entidade que atua para o fortalecimento da democracia, manifesta sua solidariedade aos povos indígenas que sofrem e sofreram violência política e assédio eleitoral. Repudiamos esses atos e cobramos das autoridades competentes providências urgentes para proteger as comunidades, apurar as denúncias e responsabilizar os autores.
Com informações do Nexo Jornal e do Ministério Público Federal, de 28 de outubro de 2026, e da Folha de S.Paulo, de 12 de outubro de 2026.
