ALIANÇA INDÍGENA-QUILOMBOLA

A articulação conta com o apoio da Comissão Pró-Índio de São Paulo e do Iepé – Instituto de Pesquisa e Formação Indígena e teve início com a realização do 1º Encontro Índios & Quilombolas em Oriximiná, em setembro de 2012. Na ocasião, o Quilombo Abuí recebeu mais de 170 convidados para um reencontro histórico. O evento foi uma iniciativa conjunta da Cooperativa do Quilombo, Comissão Pró-Índio e Iepé com o objetivo de incentivar a parceria entre índios e quilombolas frente a novos desafios comuns, como a proteção dos territórios ameaçados pelo avanço dos empreendimentos de mineração e de geração de energia.

“O encontro uniu as duas pontas que estavam separadas e acendeu uma luz”, Hugo Souza, Presidente da Cooperativa do Quilombo.

“Essa reunião foi pensada no momento certo. Já poderíamos ter tido essa ideia há mais tempo. Mas ainda bem que está acontecendo agora”, Cacique Eliseu Waiwai.

“É muito bom nos conhecermos, por isso agradeço muito. Nós nunca tivemos uma reunião assim. Mas foi muito bom para nos fortalecermos mais”, cacique Mauro Kaxuyana.

© Carlos Penteado

Desde aquele primeiro encontro, a “articulação indígena-quilombola” vem se consolidando com a realização de atividades em Belém, Brasília, Santarém e Oriximiná. Em novembro de 2013, índios e quilombolas de Oriximiná lançaram  na cidade de Belém a  campanha na defesa dos seus direitos territoriais com o apoio da Comissão Pró-Índio de São Paulo e do Iepé. No mesmo ano estiveram juntos em Brasília para levar a diferentes órgãos de governo as suas reivindicações.

“A parceria que nós temos com os quilombolas para nós é importante porque fortalece o movimento indígena e o movimento quilombola. Porque os quilombolas e os indígenas eu acredito estão na mesma luta pela conquista do seu território” Juventino Kaxuyana, presidente da AIKATUK – Associação dos Povos Indígenas Kaxuyana, Kahyana e Tunayana

“Eu acho que essa parceria índio e quilombola é uma força muito grande. Porque quando a gente se une assim acho que o governo tem que olhar um pouco mais diferente para gente, ele sabe que estamos unidos e a união faz a força” Aluízio Silvério dos Santos, comunidade quilombola Tapagem.

A aliança possibilitou em 2015 um resultado de especial significado: a reaproximação entre índios da TI Kaxuyana-Tunayana e os quilombolas da TQ Cachoeira Porteira, cujas relações, no processo de regularização de suas terras, haviam assumido ares de conflito. Reunidos novamente no  Quilombo Abuí, escolhido como “local neutro” e livre de influências externas, em maio de 2015, lideranças indígenas e quilombolas de ambas as terras, com a mediação de lideranças quilombolas de outras comunidades, acordaram os  limites territoriais para fins de regularização fundiária. O acordo foi oficializado junto ao Ministério Público Federal e o Ministério Público Estadual e posteriormente aceito pela Funai e o governo do Pará.

O acordo,  por sua vez,  possibilitou outra importante conquista: a publicação do relatório de identificação da  TI Kaxuyana-Tunayana em outubro de 2015. O relatório encontrava-se pronto e tecnicamente aprovado desde 2013. Juventino Pesirima Kaxuyana, presidente da AIKATUK – Associação dos Povos Indígenas Kaxuyana, Kahyana e Tunayana destaca a importância da aliança nessa trajetória:

“A luta que travamos há 12 anos deu resultado. Essa é uma conquista não apenas dos Katxuyana e Tunayana, mas também dos quilombolas. É um resultado de nossa luta conjunta índios e quilombolas. Estou feliz!”

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